Educação de jovens e adultos no contexto nacional e regional

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Somos, sem dúvida, homens e mulheres cheios de esperança, mas, como dizia Paulo Freire, nós temos que ter esperança do verbo esperançar, porque há outros que têm esperança do verbo esperar. 

  Esperança do verbo esperar, não é esperança, é espera: eu espero que dê certo, espero que funcione, espero que resolva...

 Esperançar é ir atrás, é juntar, é não desistir.  

Quando o corpo do nosso mestre Paulo Freire morreu, eu disse e escrevi uma frase que não é minha, mas que admiro muito, porque é do grande médico Albert Schweitzer (que, aos 20 anos de idade, deixou uma promissora carreira na Europa para ir trabalhar na África, onde viveu cinqüenta anos dignificando a vida humana daquele continente esquecido e vilipendiado).  Essa frase deveria ser o lema de todos os que têm esperança e nos lembrar que a tragédia não é quando um homem morre e sim, como falou Schweitzer:

 "A tragédia do homem é o que morre dentro dele enquanto ele ainda está vivo".

O que não pode morrer dentro de nós é a esperança, a possibilidade de dizer não à violência física e simbólica, a possibilidade de inventar, reinventar, ter a audácia de reconstruir o humano, ter a audácia de dizer que aqui é assim, mas, deixará de ser.

 

Esperançar, em Educação, é ter a coragem de se tornar mais competente, ter a humildade de partilhar, ter a capacidade de amar, porque educação, muitos esquecem, é um ato amoroso, porque a vida é um ato amoroso.

   

Concluo lembrando que, ao comemorarmos a partida de Paulo Freire, vale lembrar sempre uma forte idéia dele quando deixou a gestão da educação paulistana:

Saio, mas, não saio.  Na vida, a gente tem que travar muitas brigas e se existe uma briga na vida que a gente tem de brigar é a briga pela dignidade coletiva; cada uma e cada um de nós briga esta briga numa esquina da vida.  Você pode até mudar de esquina; o que você não pode é mudar de briga.

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